Como mudar a velha política?

0
177
Carlos Arouck

Outro dia, um jovem rapaz do interior de Pernambuco me perguntou pelo WhatsApp “como você pretende fazer uma campanha vitoriosa sem os erros da velha política”? Isso me deixou muito pensativo e até mesmo apreensivo. Se já foi difícil tomar a recente decisão de entrar para a política, achei mais difícil ainda responder essa pergunta. Seria muita presunção de minha parte pensar que eu, um novato, poderia apresentar ao eleitor brasileiro algo diferente, de modo diferente. No entanto, lembrei que foi a vontade de mudar tudo que vem sendo apresentado até agora que me levou a ter coragem de me candidatar. Eu, como milhões de brasileiros, não suportamos mais políticos ficha-suja legislando, julgando, administrando as riquezas da nação. Não queremos mais prerrogativas especiais descabidas em pleno século XXI, como o foro privilegiado. A Corte Suprema não deve se ocupar de casos criminais. Não admitimos mais representantes que nos envergonham, dão maus exemplos e não nos representam em nossos anseios de cidadãos. Então, percebi que minha disposição de entrar para a política correspondia exatamente à essa necessidade de romper com o que vinha sendo feito até o momento.

E não se trata apenas de políticos envolvidos em corrupção, ou preocupados em atender seus próprios interesses e não os da população. Temos, ainda hoje, os “coronéis”, típicos também dessa velha forma de condução política. Na mesma semana em que o jovem pernambucano me interpelou, um conhecido de Alagoas me enviou uma mensagem afirmando que tirar os “coronéis” da política seria quase impossível porque o povo carente considera esses senhores os salvadores das suas vidas. As duas famílias dominantes do estado de Alagoas, por exemplo, têm conseguido manter em seu cabresto os cidadãos de bem mais carentes, cerceando o desenvolvimento humano como forma de garantir suas eleições. Uma família colocou luz em todo o sertão alagoano e a outra família garantiu a venda de eletrodomésticos, principalmente de aparelhos de televisão. Não por acaso, as duas concessionárias televisivas da região são propriedade dessas duas famílias dominantes. E isso ocorre em muitos estados brasileiros…

Brasília, capital federal, não está longe dessa manipulação eleitoral, porque tem também suas famílias “tradicionais” na área política, que se revezam no poder e impedem a entrada de outros nomes diferentes dos seus. Como no crime organizado, ou melhor, como na máfia italiana dos velhos tempos, o legado político é transmitido de pai para filhos ou esposas, enfim para seus familiares que vivem exclusivamente da política. Se o político é preso, cumpre a pena e volta para política, sendo facilmente reeleito. Trata-se de uma roda viva que precisa parar. Mesmo para o próximo pleito deste ano, muitos estão retomando velhos hábitos, e as alianças partidárias continuam refletindo interesses que têm mais a ver com vantagens pessoais do que com programas de governo. Parece-me que o melhor destino para a “velha” política seria sua rejeição plena por todos nós, eleitores brasileiros. Resta-nos, portanto, a coragem de obrigar nossos candidatos a atualizar a forma de pensar e fazer política. Nossa força, como representados, está no voto. A sonhada renovação não ocorrerá de um dia para o outro, mas pode começar em 2018.

Destaco que uma mudança já está em andamento, desde a condenação por unanimidade no TRF4 do senhor dos ladrões, no dia 24 de janeiro. Além de colocar o Brasil no fundo do poço destruindo toda nossa riqueza e esperança por dias melhores, essa conhecida figura pública era ativista da velha política do “toma-lá-dá-cá”, por meio de acordos espúrios com os caciques, partidos e empresários nacionais, que levaram o Brasil ao caos e à pobreza da atualidade. A sociedade brasileira tem se manifestado nas ruas e nas plataformas digitais com ardor, deixando transparecer seu desejo de ver mudanças na administração pública, nas práticas e costumes da política. Junto, temos o dever de mudar o rumo do país. Devemos sair de uma plataforma desajustada para um modelo de ética, emoldurado pelos valores da honestidade, da justiça e da transparência a partir de uma visão que atenda os interesses de nossa Pátria. A dignidade e a moral precisam se apresentar como os conceitos básicos capazes de iluminar os próximos tempos. Chega de tanta corrupção e impunidade.

Não se pode mais conceber negociatas com algo tão precioso como o voto. Não podemos deixar que mentiras e ameaças de que nada vai mudar nos façam desistir de tentar mudanças políticas. A sociedade não suporta mais os resultados individualistas da má representação política, da falta de seriedade, de espírito público, de pensar no interesse de todos nós. Temos que trabalhar uma nova consciência política junto às pessoas e provar que é possível a mudança, que o voto não é uma moeda de troca, mas sim uma oportunidade de manifestarmos o que queremos ao invés de aceitarmos o que querem nos impor..

Termino citando Woody Allen, cineasta americano. “A vocação do político de carreira é fazer de cada solução um problema.”

Carlos Henrique Arouck é Agente de Polícia Federal, Bacharel em Direito, Licenciado em Administração de Empresas, Foi Instrutor na Academia Nacional de Polícia, Palestrante na Área de Segurança Pública, Fundador do Movimento Brasil Futuro(MBF), Consultor de Cenários Políticos e Consultor de Estratégia de Segurança Pública.

FONTE: http://www.arouck.com.br/como-mudar-velha-politica/

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

3 × quatro =