LINCE – OLHOS DA CIDADE

A população pode colaborar com o Estado nas ações de enfrentamento da criminalidade por meio de denúncias e de informações para a polícia sobre situações de risco para sua vida e a de outras pessoas. Essa colaboração entre o poder público e a sociedade pode promover muitos avanços, especialmente quando somados aos recursos tecnológicos.

PROJETO LINCE

O projeto Lince – Olhos da Cidade foi desenvolvido pela Agência Federal para o monitoramento aéreo por meio de Aeronaves Remotamente Pilotadas, conhecidas por DRONES. Esses equipamentos carregam câmeras capazes de registrar imagens precisas de locais estratégicos, facilitando a tomada de decisões.

Especialmente para a segurança pública, o drone auxilia na prevenção e investigação de crimes e permite controlar as fronteiras e as ocorrências de trânsito, marítimas e incêndios, permitindo maior eficiência nas ações de segurança pública.

O monitoramento do projeto Lince será desenvolvido a partir de bases móveis constituídas de veículos tipo furgão, equipados com recursos tecnológicos avançados e adaptados para operação com DRONES, chamados de BlueThunder, projetados pela empresa FusionLabs Brasil.

O projeto Lince está integrado com o FusionBackup, aplicativo de segurança pessoal, projetado pela FusionLabs Brasil, que permite o envio de alertas em situações de emergência, para que o ambiente seja rapidamente monitorado pelos DRONES.

Jovens de baixa renda, residentes em comunidades carentes e que estejam em situação de vulnerabilidade serão treinados e contratados como operadores de DRONE. Assim, o Projeto Lince vai promover a inclusão social e a transformação da coletividade.

O Projeto Lince será um marco importante nas ações governamentais por promover maior celeridade e eficiência na segurança pública, com inclusão social, implicando em um novo paradigma na gestão pública no País.

PROJETO LINCE

O Lince é um felino que enxerga muito bem. “Olhos de lince” é uma expressão utilizada no Brasil para definir pessoas com visão aguçada, que conseguem enxergar longe e ver além. No entanto, a origem da expressão, na realidade, não vem da comparação com o felino, mas sim da mitologia grega.

De acordo com a lenda, Linceu foi o piloto da expedição dos “argonautas”, grupo composto por 56 heróis da mitologia grega, que embarcou no navio Argo para conquistar o Tosão de Ouro (a lã de ouro do carneiro alado Crisómalo).

Linceu tinha uma visão tão boa que podia ver através de paredes de pedra para verificar a existência de potenciais tesouros escondidos. Comentavam que Linceu tinha uma visão tão fantástica que conseguia ver o que acontecia no céu e no inferno.

Em uma ocasião específica, Linceu conseguiu contar de uma só vez e a uma distância de mais de duzentos quilômetros, o número de barcos de uma frota de guerra que tinha saído de Cartago.

Assim, surgiu a expressão de que quem tinha uma visão muito boa, tinha “olhos de Linceu”. Posteriormente houve a confusão entre Linceu e lince, e na linguagem popular a expressão passou a ser “olhos de lince”.

A população brasileira sofre com problemas de segurança. A violência e a criminalidade fizeram mais de 60 mil vítimas no ano de 2016, segundo o Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 2017. Enquanto os índices de criminalidade são recordes, não cabem mais presos nos estabelecimentos prisionais.

Esse cenário demanda do Estado políticas públicas na área de segurança que sejam mais eficientes, eficazes e efetivas, que implicam, respectivamente, na otimização dos meios, no alcance de resultados planejados e no real atendimento aos anseios da sociedade por segurança.

O policiamento precisa assegurar a preservação da ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio, uma vez que é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, por mandamento Constitucional.

Com o crescimento das cidades e da população fica cada vez mais difícil acompanhar a dinâmica da ação de criminosos, especialmente em locais de grande aglomeração urbana, que exigem maior efetivo e logística de atuação policial.

O uso de tecnologias nas ações de policiamento é uma alternativa que promove eficiência do trabalho de prevenção e investigação criminal. As Aeronaves Remotamente Tripuladas, conhecidas como DRONES, vêm se difundindo cada vez mais pelo mundo, como uma estratégia inteligente de segurança, diante de seu custo relativamente baixo, acesso fácil e manuseio simples.

Os DRONES se caracterizam como aeronaves que dispensam a presença de piloto para operação, sendo uma excelente ferramenta de que os órgãos de segurança pública podem dispor, diante de sua amplitude e alcance, capazes de registrar e transmitir imagens em tempo real.

Os DRONES podem ser empregados para monitorar uma ocorrência policial, possibilitando uma visão global do evento, bem como monitorar uma multidão em uma manifestação popular ou aglomeração urbana.

Essa tecnologia permite a visualização remota de áreas perigosas, extensas ou de difícil acesso, substituindo helicópteros ou a presença física de policiais, sendo portanto um recurso mais rápido, econômico e seguro.

O policiamento de trânsito, a fiscalização de fronteiras, o monitoramento ambiental e as ações de investigação e inteligência policial são exemplos práticos de serviços que podem ser realizados com os DRONES. Sua aplicação pode se dar em áreas rurais, rodovias e estradas vicinais.

Os DRONES podem ser utilizados no monitoramento de praias, detectando a presença de tubarões por meio de visão térmica. Seu uso também se dá em situações de afogamento quando pode, em segundos, enviar uma boia de resgate. Em casos de incêndio, o uso de DRONES permite localizar pessoas em perigo, por exemplo, enviando-lhe oxigênio.

O Corpo de Bombeiros do Alabama, Estados Unidos, recorreu a um drone para resgatar dois jovens ilhados nas correntezas de um rio. Além de auxiliar no monitoramento do resgate, a aeronave foi utilizada como ponte para a entrega de colete salva-vidas a uma das vítimas que estava sem a proteção

No Brasil, os DRONES já foram utilizados na Operação Ágata das Forças Armadas, em coordenação com outros órgãos federais e estaduais, para combater crimes transfronteiriços e ambientais na faixa de fronteira da Amazônia. No Rio +20 os equipamentos foram utilizados na vigilância do local onde estavam reunidos mais de 100 chefes de Estado.

PROJETO LINCE

A população pode colaborar com o Estado nas ações de enfrentamento da criminalidade por meio de denúncias e de informações para a polícia sobre situações de risco para sua vida e a de outras pessoas. Essa colaboração entre o poder público e a sociedade pode promover muitos avanços, especialmente quando somados aos recursos tecnológicos.

Segundo o Diretor de Inteligência e Tecnologia da Agência Federal e engenheiro responsável pela criação e desenvolvimento do projeto – experiências de êxito junto à Polícia Militar e Civil serviram de laboratório para a criação do Projeto Lince e possibilitaram desenvolver a solução mais adequada à dinâmica da polícia. “O drone precisa estar onde a equipe policial estiver, mas a equipe de monitoramento da Agência Federal não pode se expor aos riscos da atividade policial, por isso a importância de bases móveis”, afirmou Vilmo Junior.

Com as bases móveis de monitoramento, o veículo pode ficar distante até 5 km do local alvo do monitoramento, permitindo que o serviço seja realizado com maior discrição e que os pilotos de drone utilize toda a estrutura tecnológica disponível e trabalhem com segurança e conforto, explicou Vilmo Junior.

Empregos e inclusão social

O projeto Lince visa ainda promover a geração de empregos e a inclusão social por meio da capacitação de jovens de famílias de baixa renda, residentes em comunidades carentes e que estejam em situação de vulnerabilidade, para serem contratados como operadores dos DRONES.

Os jovens receberão um curso com aulas teóricas e práticas que irão lhes habilitar à profissão de piloto de drone de forma eficiente e segura. O treinamento incluirá também aulas de civismo, meio ambiente e tecnologia da informação, segurança no trabalho e primeiros socorros.

Além de representar um avanço para os serviços públicos, especialmente na área de segurança, o Projeto Lince será uma oportunidade de dar dignidade a jovens carentes, resultando na inclusão social e na transformação de toda a coletividade, comenta Alexandre Couto, Diretor Jurídico da Agência Federal.

O Projeto Lince – Olhos da Cidade é um projeto social da Agência Federal, organização da sociedade civil sem fins lucrativos, qualificada pelo Ministério da Justiça. A contratação precisa ser precedida de um termo de parceria com a Agência, que está sob análise pelos Governos de quatro Estados do Brasil.

O projeto tem um custo muito acessível e o valor investido retorna aos cofres públicos através de tributos, geração de empregos diretos e segurança, ocasionando automaticamente uma estabilidade financeira ao mercado local, uma vez que há segurança, há investimentos, especialmente em turismo, comércio, indústria, etc. destaca, Antônio Fonseca – Diretor Financeiro da Agência Federal.

O uso de drones é uma medida estratégica por permitir a modernização dos serviços públicos. Essa parceria será um marco para os Governos Estaduais e um novo paradigma de gestão pública no País, conclui Magne Cristine, Diretora Geral da Agência Federal.